sexta-feira, 28 de novembro de 2008

LE KUNSTHAUS, Zurich

GIACOMETTI
Le Kunsthaus montre la collection la plus importante et complète d’oeuvres d’Alberto Giacometti dans un musée: la collection de la Fondation Alberto Giacometti, fondée en 1965 grâce à des dons privés, et qui regroupe de nos jours 150 sculptures, 20 tableaux et beaucoup dessins sur papier. Nombre de ces oeuvres furent offertes par Alberto lui-même, d’autres par son frère Bruno. Une partie des oeuvres de la fondation est en dépôt dans les musées de Bâle et de Winterthur. Ses inventaires englobent l’ensemble de l’œuvre de Giacometti – de ses premiers travaux aux dernières œuvres représentant tous les aspects essentiels et dévoilant de nombreuses facettes surprenantes: En commençant avec des œuvres de jeunesse, auxquelles suivent directement d’importantes sculptures de la période durant laquelle l’artiste s’intéressait au Cubisme et à l’art primitif. La phase surréaliste est particulièrement bien représentée avec de bien rares et fascinants objets. La collection du Kunsthaus comprend les oeuvres du jeune Giacometti ainsi que des sculptures essentielles de la période expérimentale avec le cubisme et l’art primitif. La phase surréaliste, avec ses rares et passionnants objets, est superbement représentée au Kunsthaus. C’est entre les années 1947 et 1951 que Giacometti développe dans son style atteignant la maturité ses sculptures élongées, dont le Kunsthaus en possède la plupart, ainsi que d’importants tableaux.
http://www.kunsthaus.ch/fr/collection/

LA MAIN DE L'HOME, par Olivier Cena


GIACOMETTI
Télérama hors/série
"Ce visage marqué, ces doits tachés de plâtre, cette voix charmeuse, sûr qu'on les connaît. Le sculpteur suisse, jamais rencontré, hante nos souvenirs d'énfance. Alberto Giacometti, l'homme au regard triste, aurait pu être notre grand-père".

Je l'ai aimé avant d'aimer son oeuvre, avant même de savoir que j'aimerais un jour son oeuvre, avant même de savoir qu'un jour j'aimerais l'art. Il est un sentiment étrange d'intimité qui naît parfois d'une première rencontre; lui, je l'attendais.
Alberto Giacometti resemble à mon grand-père, et de lá viennent une connivence inventée et mon amitié pour un homme que je ne connaîtrai jamais.
Longtemps sa photographie est restée accrochée sur le mur, face a mon bureau. J'apercevais son visage en entrant; em m'asseyant, je le regardais; et, lorsque je travaillais, je lui jetais sans cesse des petits coups d'oeil complices. Lui, il observait l'infinit.
Je lui parlais parfois. Je lui posais des questions, je lui expliquais ma difficulté passagère, je lui lisais deus ou trois phrases que je venais d'écrire. Lui et moi je parlais. C'est un ami.
Je me souviens de notre première véritable rencontre: une émission de télévision où Jean-Marie Drot interviewait le sculpteur suisse dans son atelier de la rue Hippolyte-Maindron à Paris. Je me souviens du désordre, de la poussière, des sculptures inachevées, des tableaux ébauchés, des hiéroglyphes couvrant les murs décrépis, de la pénombre, de la fumé de sa cigarette, de outils maculés de peinture et de plâtre, des livres dispersés sur un vieux canapé, de l'odeur âcre que je ne pouvais pas sentir. Je me souviens de tout, de mes yeux d'enfant fouillant sur le petit écran la caverne meiveilleuse de l'artiste Ali Baba.
Et ouis ses mains, bien sûr, je me souviens aussi de ses mains. En parlant, il ne cessait de les frotter l'une contre l'autre, mal à l'aise sans doute, intimidé par le micro et la caméra. Je les devine calleuses, rugueuses et sensibles à la fois - les mains de l'ogre et les mains de l'ange. Cettes de mon grand-père étaient semblables, je pense, dotées de ce même pouvoir: pétrir la matière et caresser le monde.
Je parle de l'homme, toujours je parle de l'homme, mais peu à peu l'oeuvre apparaît sous ses doigts tachés de plâtre, dans la pénombre de l'atelier poussièreux. Là, ses yeux scrutent la pâte que ses mains modèlent. Et cette question encore: est-ce la main qui travaille, surveillée par le regard, ou le régard qui guide la main?...
A l’occasion de la grande rétrospective que lui consacre le centre Pompidou du 17 octobre 2007 au 11 février 2008, ce hors-série richement illustré nous invite à visiter l’atelier d’un artiste exceptionnel en compagnie entre autres d’Olivier Cena, concepteur du volume, de Jean Clair, Jacques Dupin, Yves Bonnefoy, Michel Butor, Gilles Macassar, Giuseppe penone, Yan Pei-Ming...
Auteur: CollectifEditeur(s): TéléramaDate de publication: 11/2007Langue: FrançaisFormat: Broché - 98 p.Dimensions: 23 x 30 cm

O HOMEM QUE PERGUNTOU POR BRASÍLIA, por Nysse Arruda

Toniquinho JK. O homem que interpelou o candidato presidencial Juscelino Kubitschek de Oliveira em 1955, desencadeando com as suas palavras o incrível processo de construção de Brasília, esteve em Lisboa pela primeira vez. Veio conhecer a terra do avô, que emigrou para o Brasil no século XIX

A pergunta que mudou a história do Brasil

António Soares Neto, ou Toniquinho JK, como ficou conhecido desde aquele dia 4 de Abril de 1955 - data do primeiro comício como candidato presidencial de Juscelino Kubitschek de Oliveira -, tem 83 anos, cinco filhos e nove netos, espalhados pelas cidades de Goiânia e Jataí, no estado de Goiás. Mas é esta pequena cidade de Jataí, sua terra natal a 535 quilómetros de Brasília, que marcou a história da vida deste homem que pode ser considerado o "pai" de Brasília.
"Tinha eu 29 anos, era funcionário de uma companhia de seguros e estudava para ser tabelião em Goiânia. E por causa destes estudos tinha lido muito a Constituição Brasileira", conta Toniquinho JK.
E foi esse conhecimento que veio à tona durante o primeiro comício presidencial de Juscelino Kubitschek, organizado às pressas a partir da recepção de um telegrama de JK pelo antigo colega da Universidade de Medicina Serafim de Carvalho, em plena missa de domingo em Jataí. A notícia espalhou-se num instante no adro da igreja, Toniquinho foi levar o telegrama ao prefeito da cidade, Luziano de Carvalho, e os três compadres começaram logo a delinear os preparativos para o grande acontecimento político.
O dia da chegada de JK foi decretado feriado, e o alvoroço tomou conta do povo da cidade, maioritariamente favorável ao partido político de JK, o PSD, principal motivo da escolha do candidato a presidente, que quis evitar os grandes centros urbanos, devido à perseguição dos militares, que, desde o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954, ansiavam assumir o controlo do país.
Juscelino Kubitschek foi logo transportado pela cidade a bordo de um Buick, propriedade de um fazendeiro local. Terminado o cortejo na Praça Omar Menezes, um vento forte começou a soprar trazendo a chuva, e o prefeito transferiu o comício para um barracão de uma oficina mecânica, onde JK subiu para cima da carroçaria de um velho camião - num palanque improvisado - e falou para a plateia reduzida. Toniquinho estava lá.
Durante todo o discurso, JK reiterou o seu desejo de cumprir a Constituição, o que fazia parte do seu ideal político, mas era também uma estratégia para evitar a perseguição do Governo militar. Num gesto inédito, JK deu voz ao público e pediu que os ouvintes fizessem perguntas, pois ele estava ali para responder.
Toniquinho fez então a pergunta que faria história na história de Brasília: "Excelência, se eleito for, o senhor irá transferir a capital para o Planalto Central, como prevê a Constituição?"
JK perdeu a pose por um segundo, olhou para os assessores e disse que a pergunta era difícil, mas oportuna. E ripostou: "Com as graças e a bênção de Deus, vou cumprir a Constituição e transferir a capital para o Planalto Central." A multidão entrou em delírio.
"Foi Juscelino mesmo que provocou aquela pergunta. Eu não tinha planejado nada, não saí de casa pensando em fazer aquilo. Mas ele falou o tempo todo em cumprir a Constituição. Por isso eu perguntei", relembra Toniquinho JK enquanto repete a pergunta, com os olhos rasos de lágrimas, na sala de reunião da Missão Brasileira junto à CPLP em Lisboa, onde foi recebido pelo embaixador Lauro Moreira.
E a partir daquele momento, JK faria daquela pergunta o objectivo principal da sua campanha presidencial, tornando-a a me-ta-síntese do seu ambicioso Plano de Metas com 30 itens: "50 anos em 5." Ao assumir a presidência a 31 de Janeiro de 1956, JK pôs em marcha um dos mais arrojados projectos da história brasileira, e a 21 de Abril de 1960 era inaugurada Brasília, a nova capital da República.
Depois do comício, durante o almoço, JK pediu ao prefeito que procurasse o rapaz que o havia interpelado. "Fiquei muito emocionado e nervoso. Nem tive coragem para olhar para ele direito", confessa Toniquinho JK.
Toniquinho ficou famoso na cidade. Orgulhoso, incorporou ao seu nome as iniciais do amigo presidente e passou a chamar-se Toniquinho JK. E a vida continuou, com Toniquinho JK a formar-se em Direito e a iniciar uma carreira sólida em Goiânia e até a assumir o cargo de colector estadual de impostos em Jataí. Em Abril de 1960 chegou o convite para a inauguração da nova capital do Brasil e lá foi ele para Brasília, levando uma flâmula de Jataí.
No meio da multidão, Toniquinho convenceu o chefe de segurança a deixá-lo aproximar-se do palanque do presidente. "Era o meu presente para Juscelino. Quando ele me viu, pediu que subisse ao palco. Fiquei abraçado a ele durante todo o discurso", emociona-se Toniquinho JK ao lembrar o momento histórico que viveu.
"Nunca tirei partido político disto. Nunca pedi emprego a Juscelino, nem ele também nunca mo ofereceu", diz o advogado agora reformado. "Aquela pergunta ficou inseparável da minha vida. Não foi inventada, não foi arranjada, foi uma coisa que aconteceu", arremata ele.
"Depois que Juscelino entregou a presidência, eu ainda o acompanhei durante alguns discursos em Goiás, desta vez para o Senado Federal. Depois do golpe militar de 1964, ele foi exilado e não nos vimos mais. O fim de toda essa história foi a sua morte. Estive presente no enterro e depois na transferência dos restos mortais para o Memorial JK, em Brasília. Tudo o que aconteceu ficou na memória", relembra ainda Toniquinho JK, mais uma vez à beira das lágrimas.
"Eu sei que aquele dia transformou a minha vida. Durante todo esse tempo, recebi várias homenagens em Jataí e em Brasília. Em 1999, ganhei o título de cidadão honorário da capital do Brasil. Em Jataí há sempre festas comemorativas no dia 4 de Abril - o dia do comício e da pergunta. As pessoas dizem até que Jataí é a mãe de Brasília e eu sou o pai", diz, a rir, Toniquinho JK .
Diário de Notícias

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

HOMER BEER SONG

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2+2=5

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CHAPITÔ

Chapitô uma casa, como tantas outras, uma velha casa cheia de histórias, onde as paredes falam diferente...” Teresa Ricou

O Chapitô é um projecto cultural, social e educativo que cruza a formação, a animação e a intervenção social através das Artes e do Espectáculo. Em termos de espaço, é um local fabuloso, junto às muralhas do Castelo de São Jorge, com vista sobre a cidade e o rio. O Restô do Chapitô é um restaurante criativo e diferente. Cozinha internacional variada e imaginativa.

Rua Costa do Castelo 7 - Lisboa
1100-176 LISBOA
Telefone: 218 867 334
http://www.chapito.org

ATIRA-TE AO RIO, Restaurante


Atira-te ao Rio

Situado no conhecido Cais do Ginjal, o Atira-te ao Rio é um restaurante rústico e muito agradável. Com Lisboa na outra margem, como pano de fundo, poderá deliciar-se com um dos muitos pratos que este restaurante tem para oferecer. Aos Sábados só servem feijoada à brasileira.

Cais Ginjal 69/70 - Cacilhas
2800-284 - ALMADA
Telefone: 212 751 380
www.atirateaorio.pt

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PAVILHÃO CHINÊS












Pavilhão Chinês
"Abre-se a porta, abrem-se os olhos de espanto... Abracadabra!, cantava Paulo de Carvalho nos anos 80, poucos anos antes de o Pavilhão Chinês, em 1986, abrir as suas portas e espantar muitos olhares com as suas cinco salas sobre decoradas e impor um serviço e carta esmerados. Duas décadas depois, o efeito Abracadadra mantém-se. A sobre decoração mantém-se, com milhares de objectos de artes várias. O serviço e a carta, especializada em cocktails, chás puros e álcoois de excelência, mantém-se". Luís J. Santos (PÚBLICO)
PAVILHÃO CHINÊS
TELEFONE:(+351) 213424729
LOCAL: Lisboa, R. D. Pedro V, 89
HORÁRIOS:Segunda a sábado das 18h00 às 02h00
Domingo das 21h00 às 02h00

domingo, 23 de novembro de 2008

AMIGOS - Notícias da Louize







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Perth ( Scotland)- "A Escócia é linda, mas está muito frio, e faz noite muito cedo. Assim, durante a semana resolvi inscrever-me em aulas de ginástica, coisa que nunca me apeteceu antes. Nos fins de semana tento pedalar, "de verdade".
No fim de semana passado tive a visita dum amigo de Inglaterra, e encontramos com um colega de trabalho que nos levou pedalar nas montanhas - e na neve! Lindo e muito divertido... mas frio - ando sempre com 4-5 camadas de roupa! Junto algumas fotos tiradas pelos companheiros da volta.
Este fim de semana estive no sul de Inglaterra e encontrei com outros amigos para outra volta - com muita lama - a roupa já foi lavada 2 vezes, e acho que ainda vai fazer mais uma volta na máquina de lavar antes de estar limpa!
E assim são as notícias deste canto do mundo." Louize

REVISTA - Nossa América















"NOSSA AMÉRICA"

"A 30ª edição da Revista Nossa América mostra a pluralidade da vida cultural do Continente. Das cumbres latino-americanas ao III Festival de Cinema Latino-americano deste ano, que reuniu no Memorial não só nomes da vanguarda histórica, a exemplo de Fernando Solanas, como jovens provenientes de escolas de cinema da América Latina, esta edição apresenta múltiplos interesses.
A festa literária de Paraty, apesar de não ter apresentado o brilho de edições anteriores, conseguiu atrair um público considerável de 35 mil pessoas. Nossa América esteve lá e traça um panorama das mesas e dos debates.
A coleção de arte indígena que pertenceu ao Banco Santos, agora sob conservação do Memorial, compôs amostra Viagem Noturna, em destaque nesta edição.
O maior grupo de rock latino de todos os tempos, o mexicano Maná, com infl uência de vários ritmos do Continente, prova que também estamos unidos pela música e pelo ritmo da região. Outro artigo revela a surpresa das obras do artista alemão Josef Albers, grande teórico das cores que ensinou na Bauhaus, esteve em Cuba, no Chile e no México.
O ensaio fotográfico desta edição homenageia Oscar Niemeyer designer, no ano em que o arquiteto comemora o seu 101º aniversário.
O Festival de Cinema Latino-Americano chega a sua terceira edição com sucesso, o que prova uma análise do quanto é oportuno na cidade.
A ONU é motivo de refl exão de Celso de Souza Machado, sociólogo, enquanto a escassez de alimento no mundo entra em discussão no texto de uma repórter da área agrícola e as cumbres latinoamericanas e suas várias composições são o assunto de Félix Peña.
A temida Operação Condor, criada pelos militares para combater o suposto comunismo que se instalava no Continente, é motivo de análise da pesquisadora Márcia Guena.
Considerado o maior fotógrafo de arquitetura atual, Yukio Futagawa esteve no Memorial para registrar o projeto de seu ídolo, Oscar Niemeyer, quando deu uma entrevista exclusiva à Nossa América.
Para finalizar, a última página, dedicada à poesia, desta vez abre espaço para Raúl Zurita, escritor chileno.Boa Leitura!"

Adolpho José Melfi
Presidente em exercício da Fundação Memorial da América Latina

sábado, 22 de novembro de 2008

CINEMA - "As Tartarugas Também Voam"


















As Tartarugas Também Voam
Título original: Turtles Can Fly / Lakposhtha Hâm Parvaz Mikonand
De: Bahman Ghobadi
Com: Soran Ebrahim, Avaz Latif, Saddam Hossein Feysal
Género: Dra, Gue
Classificacao: M/16
FRA/Irão/Iraque, 2006, Cores, 98 min.

Numa aldeia do Curdistão iraquiano, na fronteira entre o Irão e a Turquia, os habitantes procuram desesperadamente uma antena parabólica para se manterem actualizados em relação à iminente invasão americana do Iraque... Um rapaz mutilado chega à aldeia com a irmã mais nova e o seu filho e pressente a guerra cada vez mais perto. "As Tartarugas Também Voam", escrito e realizado por Bahman Ghobadi ("Um Tempo para Cavalos Bêbedos"), ganhou o Prémio da Paz no Festival de Berlim, o Prémio do Público no Festival de Roterdão e o Golfinho de Ouro no Festróia.
“Quero dedicar este filme a todas as crianças inocentes do mundo - as vítimas da política de ditadores e fascistas.”
Bahman Ghobadi, realizador.

Fernando Pessoa "Poesia dos outros eus"


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PARA ALÉM da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva,
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos,
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
-----------------------Outono de 1914



A Alberto Caeiro

MESTRE, são plácidas
Todas as horas que nós perdemos,
se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida
Assim saibamos,
Sábios incaustos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranquilos, plácidos,
Tendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza...

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossa mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranquilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.
-----------------------12-6-1914
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UNS, COM os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmo olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe pôr o que está perto -
O dia real que vemos? No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.
--------------------28-8-1933
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PARA ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
--------------------14-2-1933
..
SEGUE o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
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A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
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Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
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Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.
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Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
---------------------1-7-1916